Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós. (Mateus, VII: 1-2).
Então lhe trouxeram os escribas e os fariseus uma mulher que fora apanhada em adultério, e a puseram no meio, e lhe disseram: Mestre, esta mulher foi agora mesmo apanhada em adultério; e Moisés, na Lei, mandou apedrejar a estas tais. Qual é a vossa opinião sobre isto? Diziam pois os judeus, tentando-o, para o poderem acusar. Jesus, porém, abaixando-se, pôs-se a escrever com o dedo na terra. E como eles perseveraram em fazer-lhes perguntas, ergueu-se Jesus e disse-lhes: Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra. E tornando a abaixar-se, escrevia na terra. Mas eles, ouvindo-o, foram saindo um a um, sendo os mais velhos os primeiros. E ficou só Jesus com a mulher, que estava no meio, em pé. Então, erguendo-se, Jesus lhe disse: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Então Jesus lhe disse: Nem eu tampouco te condenarei; vai, e não peques mais. (João, VIII: 3-11).
Minhas Reflexões
O julgamento é algo inerente ao ser humano. Se aqui estamos encarnados é porque ainda há muito em nós a ser desenvolvido. E a cada reencarnação nós é dada a oportunidade de aprender a lidar com as imperfeições humanas e desenvolver a capacidade compreensão de si próprio e dos outros.
Mas, esse é um caminho que exige do caminhante determinação, coragem e humildade, pois durante a existência terrena somos continuamente postos a prova. Em nossa sociedade atual em que estamos expostos e, também, nos expomos voluntariamente através das redes sociais e veículos de comunicação julgamos e somos alvo de julgamentos o tempo todo.
As diversas formas de pensar, de se vestir, de agir, de se manifestar são alvos de julgamentos. Sem perceber rotulamos as pessoas e criamos categorias, como se fosse possível resumir um ser humano de forma a reduzi-lo a um rotulo. Costumamos dizer, por exemplo, que os motoboys são irresponsáveis. Sim é fácil observar nas ruas da cidade atos inconseqüentes de alguns, mas não paramos para pensar naquele ser em sua totalidade: quais serão suas necessidades?, o que o fez escolher essa profissão tão cheia de riscos?, pq pilotam suas motocicletas com aparente imprudência? Não, não fazemos essas perguntas, não nos interessamos por aquele ser. O que fazemos é imediatamente julgar e declará-lo irresponsável.
E o pior, acreditamos nos rótulos e nos referimos e nos comportamos diante das pessoas a partir do julgamento que delas fizemos.
Recentemente, recebi por email fotos que mostravam a coleta de ovos de tartarugas às margens do rio Solimões, à beira de um assentamento do MST.
O texto carregado de julgamentos, execrava os assentados, julgando-os por roubar os ovos para vender. O meu impulso foi de repassar a mensagem a meus contatos, para servir de alerta e quem sabe acabar com essa pratica. Mas, felizmente algo me fez parar e refletir sobre aquelas fotos e textos.
As imagens são impactantes, é verdade, porém é preciso olhar além delas para compreender o que faz essas pessoas “colherem” os ovos de tartaruga. Por conta do meu trabalho, tenho contato com alguns assentados e saber um pouco da história deles me permite compreender, embora não aprove, atitudes como essa.
Os acampados ou assentados são em sua maioria pessoas simples que lutam para ter algo nas panelas para alimentar a família. Consigo, sem muito esforço, entender o que os fazem encher sacos e sacos com os ovos.
Quero deixar claro que não estou defendendo ninguém, apenas sinto que temos o dever moral de olhar para os vários lados da questão e essas fotos e textos mostram apenas um lado.
Talvez eu consiga ter essa visão mais ampliada sobre a questão porque a vida me permitiu conhecer um pouco dessa gente que luta bravamente para dar conta das suas necessidades básicas e que, infelizmente, tem pouco acesso às informações e conceitos que poderiam ampliar suas consciências. Mas, pergunto-me se eu não julgaria da mesma forma se não os conhecesse um pouco?
Penso que aí está nosso grande desafio, cuidar dos nossos julgamentos mesmo que nos falte conhecimento. Sinto que é nossa obrigação buscar as informações necessárias para saber o que faz alguém agir dessa ou daquela forma. É preciso humildade para aceitar que pouco sabemos sobre nós mesmos, quanto mais sobre os outros.
Não consigo enxergar outra forma de não nos deixarmos levar pelos julgamentos senão pelo desenvolvimento da empatia, a capacidade humana de se colocar no lugar do outro. E isso só é possível, em minha opinião, se nos dedicarmos a conhecer nosso próprio lugar, se tivermos consciência de nossos próprios erros e limitações. É preciso aprender a ser humilde e desenvolver a capacidade de perdoar, genuinamente perdoar. Aos outros e a si próprio.

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