sábado, 10 de março de 2012

Quantos mundos?


Do ensinamento dado pelos Espíritos, resulta que os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Dentre eles, há os que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente. Outros estão no mesmo grau, e outros lhe são mais ou menos superiores, em todos os sentidos. Nos mundos inferiores a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe. À medida que esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de maneira que, nos mundos mais avançados, a vida é por assim dizer toda espiritual.

Nos mundos intermediários, o bem e o mal se misturam, e um predomina sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrarem. Embora não possamos fazer uma classificação absoluta dos diversos mundos, podemos, pelo menos, considerando o seu estado e o seu destino, com base nos seus aspectos mais destacados, dividi-los assim, de um modo geral: mundos primitivos, onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e de provas, em que o mal predomina; mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem supera o mal; mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiações e de provas, e é por isso que nela estão expostas tantas misérias.

Os Espíritos encarnados num mundo não estão ligados a ele indefinidamente, e não passam nesse mundo por todas as fases do progresso que devem realizar, para chegar à perfeição. Quando atingem o grau de adiantamento necessário, passam para outro mundo mais adiantado, e assim sucessivamente, até chegarem ao estado de Espíritos puros. Os mundos são as estações em que eles encontram os elementos de progresso proporcionais ao seu adiantamento. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinado no mal.

Minhas Reflexões


Nós espíritas acreditamos que a Terra é um plano de expiação e provas, mas parece que nos esquecemos disso quando nos invadem as sensações de prazer que podemos vivenciar vestindo essa roupa a que chamamos corpo. Assim como, quando lamentamos ter que passar por desventuras, sentir as dores, as tristezas.

Seja na alegria, seja na dor temos a tendência de num primeiro momento considerar apenas essa experiência encarnatória e esquecemos-nos dos tantos mundos que já habitamos e poderemos habitar em nossa jornada evolutiva.

Se nascemos pobres, remediados ou ricos. Se durante a existência isso tudo se transforma, melhorando ou decaindo, isso pertence a um todo maior e não somente a essa experiência terrena. Os sabores e dissabores são oportunidades de desenvolvimento, de melhoria. São lições que podemos com a força de nosso Eu transformar em aprendizados. E nosso livre-arbítrio, que nos permite as escolhas, deve considerar mais do que aquele momento, seja ele doloroso ou prazeroso.

Se na Terra, somos revestidos de matéria e com a matéria interagimos é justo que nos preocupemos com os TER, mas é preciso se conectar com o SER, que veio a esse mundo, viver a experiência encarnatória como oportunidade de desenvolvimento. O TER é importante, mas nunca deve estar desvinculado do projeto evolutivo a que nos propomos, mesmo que seja difícil ter clareza de que projeto é esse, que missão é essa.

Então, se vivemos privações dificuldades, é comum lamentarmos, pois, como ainda temos muito a aprender, na hora do aperto perdemos a capacidade de enxergar com amplidão, olhamos a vida através de um tubo, reduzindo o campo de visão, focando apenas naquilo que escolhemos focar, mesmo que seja sem perceber. E o mesmo podemos dizer sobre os momentos de alegria extrema, quando enlevados queremos manter aquela sensação para sempre.

Seja na dor ou na alegria esquecemos que tudo é transitório, impermanente. E que as aflições e júbilos da vida na terra, são típicos desse plano e que para, se quisermos, viver em planos superiores temos que humildemente aprender essas lições.

Vejo muitos reclamando que tem pouco e consideram injusta essa condição, pois são pessoas de bem, que nada de mal fazem a outros. Mas, não seria essa vivência uma oportunidade para aprender algo sobre abundância? Não seria essa uma chance de refletir profundamente sobre os porquês que se vive a circunstância atual? Não seria, também, o ensejo para encontrar dentro de si a força e a forma para mudar o que é indesejado. Deus não deseja nosso sofrimento, quer apenas nossa evolução. E sinto, que a escolha do caminho é nossa, se será com sofrimento será fruto de nossa decisão. Assim como dizia o poeta, a dor é inevitável, o sofrimento é opcional.

E neste ponto quero falar um pouco da minha percepção sobre resignação. Acredito que aceitar passivamente situações que ferem nossa alma, seja por falta de recursos, seja por questões emocionais, é negar a nossa capacidade de transformação. Resignar-se é aceitar a condição atual, seja qual for, mas encontrar força e amor dentro de si para transformar positivamente a existência, considerando as próprias necessidades e a de todos que nos cercam.

Se não pensarmos nas melhorias da vida material, enquanto encarnados, negamos a importância do próprio corpo físico. Ele é nosso veículo para atuação nesse mundo físico e pq não poderíamos almejar cuidados e prazeres típicos dessa fase evolutiva. Desde, é claro, que a dimensão espiritual e o respeito pelos outros seres (de todos os reinos: mineral, vegetal, animal e humano) sejam cuidados na mesma medida.

O mesmo pode-se dizer daqueles que não conheceram a escassez. O fato de não vivenciá-la, não justifica ignorá-la.

O que quero dizer é que, na minha humilde visão, se não cuidarmos do nosso íntimo e nos esforçarmos para ter uma visão ampliada da vida terrena e de todos os outros mundos citados no Evangelho, ficaremos refém de nós mesmos, apegados às crenças que justificam nossas ações e nos impedem de conhecer outras visões, outras possibilidades.

Gostaria de contar uma história que ouvi recentemente vejo relacionada a essas reflexões:

O filho de uma querida amiga relatou uma experiência que teve na escola. O professor propôs aos alunos um tema e a idéia era apenas debater sobre o assunto, apenas apresentando os pontos de vista sem a defesa apaixonada que habitualmente se tem das próprias convicções. E a pergunta era a seguinte: Os ricos são responsáveis pelos pobres? Depois de algum tempo de conversa percebe-se a polarização: a maior parte da turma acreditava que não, que não tinham “culpa” de terem nascido em famílias abastadas. Do outro lado dizia-se que se tenho mais do que o suficiente, porque não ajudar a quem tem menos. E embora a proposta não fosse defender as convicções pessoais e apenas compartilhá-las, o debate acalorou-se, com cada grupo mantendo seus argumentos como verdade.

Penso que a nós que pouco importa o final desse debate. O que nós é importante é a reflexão sobre esse tema ampliando o ponto de vista que considera apenas essa existência.

E que possamos nos lembrar do simbolismo da passagem bíblica que fala da cura do cego:



Quando Jesus passava, viu um homem que era cego desde o seu nascimento; _ e seus discípulos lhes fizeram esta pergunta: Mestre, a causa de ter este homem nascido cego, é o pecado dele, ou de seus pais?

Jesus lhes respondeu: Não é que ele haja pecado, nem aqueles que o trouxeram ao mundo; mas assim sucede para que as obras do poder de Deus brilhem nele.

Depois de ter dito isso, cuspiu no chão, e tendo feito lama com a saliva, untou com essa lama os olhos do cego, e lhe disse: Ide vos lavar na piscina de Siloé. Ele foi, lavou-se, e voltou com vista.

Seus vizinhos e os que haviam visto antes a pedir esmolas, diziam: Não é este que estava sentado, e que pedia esmolas? Uns respondiam: Sim, é ele; outros diziam: Não, é alguém que com ele se parece. Porém ele lhes dizia: Sou eu mesmo. _ E então lhe perguntavam: Como é que vossos olhos estão abertos? _ Ele lhes respondia: Este homem a quem chamais Jesus fez lama e untou meus olhos, e me disse: Ide à piscina de Siloé, e banhai-vos aí. Eu fui, lavei-me, e vejo.



Então, pergunto-me: O que precisamos fazer para amorosamente tirar a lama de nossos olhos e passar a enxergar além do concreto, do facilmente explicável, do que nos parece obvio, do que é relativo apenas a essa experiência terrena.

E ainda, se Jesus disse: vocês podem fazer muito mais que EU, o que podemos fazer para apoiar nossos irmãos a encontrar sua própria Piscina de Siloé?

E passando a enxergar, o que faremos?

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